terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Toc, toc!

Um giro na maçaneta;
perguntas que não se respondem mais.
A porta está trancada!
É, acho que não estou mais em mim.
Egyle Hannnah

Batidas de ilusões



Sua voz tem o mesmo tom da minha música favorita, 
seu sorriso é como o Sol que eu insistia em ver nascer.

Nos tempo em que a linha tênue entre a sanidade e a loucura não me sufocavam, eu podia ver seus olhos atravessando minha alma.

Sim, meu amor, antes de eu te encontrar você já me pertencia:
"Quando te vi -dizia o poeta- amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando te encontrei."

Eu, do lado de cá, com meus versos tortos e mal organizados, afirmo:
Te amarei enquanto meu coração apanhar sem bater.

Porque às vezes acho que o amor é isso: dar a outra face -sempre sorrindo- 
para alguém que rouba tuas luzes e canções.



Egyle Hannah/ 23 de dezembro de 2014

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Meu amor é Eros

Meu amor é Eros, meu bem.
E enquanto não aprenderes a cativar meu jeito,
assim, sem nó, sem fundo; a
minha presença irá te torturar.
Porque só o impossível me atrai;
e quando temos as flores elas já não estão mais vivas.
Como as flores, preciso de um galho para respirar
e como um pássaro, transitarei em várias árvores até encontrá-lo.


Egyle Hannah/ 17 de dezembro de um ano qualquer

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Opostos

Sua calma me inquieta;
meu barulho distorce seu silêncio.
Sou uma bateria de escola de samba;
você é o acorde manso de um violino.
Eu falo compulsivamente enquanto
seu silêncio rasga o meu tímpano...
E eu te rasgo a roupa, a timidez e a ingenuidade.


Egyle Hannah/ 08 de dezembro de 2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Dicionário do cotidiano

A vida é pressa, correria, respiração ofegante.
Vida é o espelho da felicidade que foi fatalmente atropelada no sinal.
Felicidade é sonho que foi atingido por uma bala perdida. 
Sonho se traduz na imaginação ingênua da criança que luta contra os monstros do parque.
Imaginação é sorriso raro em meio ao caos de uma rotina turbulenta.
Rotina é fuga confortável, é inércia que acolhe.
Fuga é arte de quem cansou de gritar para quem não quer ouvir.
Quem não quer ouvir se tranca em um quarto escuro e abraça o silêncio.
Silêncio é grito que expõe o que palavra alguma poderia dizer.
Palavras, quando sussurradas, podem fazer rir... ou chorar.
Egyle Hannah/ 01 de setembro de 2014

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Materialização

Você não sabe, mas continuamente marcamos encontros em madrugadas casuais. Talvez o sonho seja a maneira mais eficaz de ter quem se ama presente. Reavivar a rotina, refazer caminhos que percorríamos quando éramos. Agora, apenas sou. 
Sonhar -já dizia Freud- é uma maneira de ter os desejos saciados para que, só assim, o sono venha a ser concebido. E sua ausência me inquieta, me tira o luxo de ter ao lado um ouvinte bom e fiel. Rubem Alves escreveu que a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar; e assumo que memórias felizes são, de fato, melhores que as tristes, mas a melancolia me invade quando lembro de suas feições, é inevitável. 
A dor é sempre dos que ficam; e eu fiquei sozinha em meio a decisões que se tornariam mais banais se você estivesse aqui. Agora, o sono vem através deste silêncio que ecoa em cada canto do quarto onde só uma coisa permanece: a ausência.
Egyle Hannah/ todo dia

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Nos fundos de um bar qualquer

Tire-me para dançar, sussurrarei palavras cálidas em seu ouvido. Vamos, corra esse perigo enquanto eu corro ao teu encontro da mesma maneira que a caneta percorre a linha do papel. 
Desvencilhe-se do ar, quero ouvi-lo pronunciar o meu nome enquanto acaricio a tua pele. Propicie-me o prazer de te dispor a crer no encanto que o diabo enuncia.
Ah, meu bem! És o Adão perfeito para comer o fruto proibido; tão puro que me tenta ser a serpente que irá te despertar deste mundo ilusório.
Vamos, dispa o meu corpo e permita que eu fique louca; e enquanto embriaga-se- opto por dizer-te que a loucura é um vício a qual não consigo me desfazer. Você rirá.
E na manhã seguinte regressará ao seu distante modo de ser. Eu, ficarei entre a colcha da cama e o travesseiro; notando que nem chegou fevereiro, mas já me acostumei a ver amores noturnos trespassar.
Egyle Hannah/ 23 de agosto de 2014

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Intranquilidade



Cansada do bramir que a inquietude soava em meus ouvidos,
saí pelas ruas em busca de uma poesia que me desse abrigo.
Sem sucesso, esqueci a ideia de conforto e deixei, mais uma vez- 
o sossego escoar por entre os meus dedos.


Egyle Hannah/ 09 de julho de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

Por água abaixo.

 Meus versos pálidos se transformaram em chuva, 
e cada gota que caía era um estardalhaço: 
um berro: um grito...
 Cada gota que escorria no chão era uma palavra falada:
uma palavra jogada, cansada de ficar presa na garganta, e
por fim, cuspida.
 Chuva ácida, sobressaltada, afiada feito uma navalha. 
 Ao olhar ela passar, percebi o seu fim em um bueiro e conclui
que cada correnteza que passara por mim não era nada mais que 
devaneios de quem um dia acreditou no amor.

Egyle Hannah/ 06 de julho de 2014

sábado, 5 de julho de 2014

No ar

 Uma descoberta inquietante tirou-me da cama mais cedo que o de costume, qualquer pessoa que analise a vida -mesmo que minimamente- já percebeu que: cada um de nós carrega um mundo dentro de si. Uma informação simples e de fácil compreensão, mas que arrancou o sono dos meus braços e o sentou ao seu lado. Estava decidido: ele só sairia dali após aquela informação acender uma luz em minha mente. 
 Malditos pensamentos que brincam com minhas horas mal dormidas: malditas horas mal dormidas que clamam por pensamentos! Não sei sobre o seu, mas o sistema solar que comanda o meu mundo interno anda meio descoordenado. Ele que sempre funcionou direito, agora brinca de revirar as órbitas dos planetas e atirar cometas em direção a eles. Perdeu sua facilidade em compreender os outros que estão ao seu redor.
 Tudo bem. Tudo bem. Não tiro a sua razão, quem manda esses outros terem uma estrutura diferente e mais complicada que a nossa? Ninguém, eu sei. Mas sempre o tiveram, e nunca houve reclamações. Por que mudar as leis da física logo agora? 
 Acho que passarei a vida inteira a perguntar pro abismo e pras paredes. E em meio a questionários, meu sono vai adquirindo afinidade com as ideias. Isso não seria algo ruim... se eu não tivesse que encarar outros mundos no dia seguinte com ar de uma péssima noite de sono. 
Egyle Hannah/ 05 de julho de 2014

sábado, 14 de junho de 2014

Mais um sábado chuvoso

Uma casa aconchegante para alugar,
três mil pessoas num primeiro andar,
chuva caindo sem cessar, a minha
vida e o tempo a passar. Quem vem lá?
Quem estará no outro lado da estrada?
Quem a felicidade buscará para ser sua morada?
Não sei, é que os dias ultimamente estão em cinzas.
Mas hoje, a sorrir, a tranquilidade apareceu por aqui,
ofereci um café e um jantar, a abracei e mandei entrar,
achei que com ela agora eu fosse estar, mas ela disse:
menina, não atrases mais a minha ida, eu sei que a vida
parece sem saída mas devemos aceitar a despedida e
deixar de lado as questões mal resolvidas. Esmoreci.
E diante daquela aquarela, a tranquilidade abriu a janela
e decolou. E voou. E eu percebi, assim, que todo
sábado sempre vem seguido de um domingo sem fim.
Egyle Hannah/ 14 de junho de 2014

Fora de órbita

 Ultimamente tenho dado boas risadas e -quase sempre- gargalhadas com o que ando lendo por aí. Hoje em dia, para você ser um escritor lhe é extremamente exigido dois pontos: palavras difíceis e citações filosóficas.
 Não importa se as frases e/ou palavras ficarão totalmente fora do contexto, tem que fazer bonito. Pouco importa também se ninguém irá entender nada do que ali foi expressado, a estética é a alma do negócio.
Sinto saudades de textos simples e de fácil compreensão, as pessoas estão transformando a leitura em enigmas quase indecifráveis. Textos ricos em sonoridades e vazios de significados.
 Acho que o mundo está virando de cabeça pra baixo, e a gravidade já não é mais suficiente para nos manter em ordem. Não tenho saída para essa situação, mas vou fazer um apelo: não me fale sobre Eros se sua verdadeira intenção era citar a caverna de Platão. 


Egyle Hannah/ 14 de junho de 2014

sábado, 7 de junho de 2014

O último palito

A metáfora era de uma caixa de fósforo. Era assim que todos -ou quase todos- conheciam.O último palito da caixa foi riscado. E como uma ilustração perfeita do mundo real... ele não voltou a ascender.
Mas dentro desta caixinha existem risos e alegrias. Como se joga fora uma felicidade? Não se joga.
Guardaram a caixinha no bolso, e deram um nome a ela, acredita? Agora ela se chama Aprendizado. E junto a outros significados que ela já tivera, sua importância ainda é preservada. E sempre será.

Egyle Hannah/ 07 de junho de 2014

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Garçom! Traga-me uma garrafa de realidade, por favor.

Como um espelho partido pela força do impacto com o chão, parece que aquela menina não mais consegue se remontar. Como uma droga ilícita, a saudade se espalhou pelo seu corpo, pelo seu quarto, pela sua vida.
O canto dos pássaros já não é mais suficiente para arrancar sorrisos de seu rosto, suas gargalhadas estão perdendo o som a cada dia que passa, seus risos perderam a espontaneidade que outrora tiveram, a saudade - esta que antes era sua bebida- adotou um gosto amargo e desce por sua garganta queimando mais que água-ardente. E tudo arde: seus pensamentos, seus sonhos, suas lembranças. Essa acidez repentina arrancou toda sua sobriedade. "Maldita água-ardente", ela grita. "Eu estou em meio a um caos", ela chora.
Alguns tentam -em vão- tomar-lhe essa garrafa que ela insiste em manter ao seu alcance, mas a saudade -que por si só já é uma droga perigosa- fica mais letal ainda quando se é combinada com a solidão. E as duas te botam pra baixo, te levam pra cama e te fazem dormir com o peso de toda a sua vida nas costas, para na manhã seguinte te servir um café da manhã acompanhado de ilusões.
Pela manhã, seus olhos procuram o Sol. Que Sol? Seu tempo permanece nublado: a neblina é mais forte que seu brilho. E ela abre o guarda-chuva para se proteger da tempestade, e usa até aquelas capas para que ao caminhar pelas calçadas, nenhum carro lhe dê um banho. Mas não serve. A força da tempestade furou o guarda-chuva e levou a velha capa. Agora só resta esperar um outro amanhecer.
 E como uma folha seca que cai da árvore no outono, aquela menina perdera sua graça, e quando já estava ao chão, pude ouvir "creck". Acho que a vida andou pisando nela.

Egyle Hannah/ 28 de maio de 2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Passos falsos

 Quero viver em paz a minha solidão coreografada, onde os passos desta dança não me levam a lugar algum. Entre giros e tentativas de inovações continuo inerte ao movimento do meu ser, e nem sei se há um referencial para ser relacionado.  

 Como se estivesse presa em um labirinto, dou saltos para ver o outro lado do muro, tão altos e tão belos que são dignos de uma apresentação clássica de balé. Mas tudo isso é vão, quanto mais me elevo, mais me afundo. Pareço estar no meio de um espetáculo do lago dos cisnes que, como sempre, esqueceram de me avisar o porquê de eu estar aqui. Acho que precisarei me afogar para poder acordar e viver a realidade.


 Queria sentir a paz em meu peito dançando junto com minha solidão, mas diante de mim surge uma platéia repleta de expectativas. Eu não posso errar. Eu não posso chorar.

Egyle Hannah/ 23 de junho de 2014

domingo, 6 de abril de 2014

Sei lá, nem vejo!

          Vejo a vida por entre brechas, vislumbro bem mais do que teus olhos são capazes, mas nada mais do que os meus olhos ocultos merecem e podem enxergar. Diria que observa a vida de longe tem suas vantagens, eu não te perturbo e tu também não me perturbas, porém como nem tudo é feito de vantagens, pelas brechas só vejo sombras. Como distinguir o real do abstrato? Me sinto presa. Não conheço o mundo. Grito, grito e grito por alguém, alguém forte, realmente forte de corpo e de alma, alguém que não seja projeção, alguém que seja carne e ossos...Parece ironia mas as vezes acho até que posso ser um dos prisioneiro no qual o Platão se refere no mito "Alegoria da caverna", e se eu for? Que alguém me ajude e me liberte, mas tenho medo já que isso é apenas o que eu conheço...Vejo uma sobra a se aproximar, se dissipou, e a janela foi aberta. Socorro estou cega! 

          Agora tudo está mais claro, as ideias se estabeleceram, agora vejo com os olhos do rosto e não só com os da mente.

- Bárbara Pessoa.

Alguém tem um giz de cera por aí?

Já vi a vida em vários tons, sons e vibrações. Ela foi um pingo de tinta que caiu no azul do papel... uma típica aquarela!
A vida já foi para mim uma cobertura multicor daquelas alegres que só vemos em circos. Nunca gostei dos espetáculos que acontecem sob a lona, encontrei nisso uma singular semelhança, vejam só: vida colorida também assusta!
Um dia a vi em um carrossel... ah, quem dera fosse um carro-céu! Que céu? Acho que suas engrenagens enferrujaram. Lembro vagamente do seu último giro e dos sons daquelas gargalhadas. E o tempo, volta? Voltar para quê? Olhar para trás pode ser perigoso, há risco de queda! E ela, como chega ao fim? A ciência diz que há vida até quando seu cérebro estiver funcionando, mas e se ele estiver funcionando mas não estiver bom de bola ainda é justo haver vida?
Enxergo tons de cinza, as cores fogem dos meus olhares, os sons escapam dos meus ouvidos, e o tato? Já não toco mais em nada, tudo corre de mim. Lancei um último olhar à vida... Susto! Ela estava muda e em preto e branco.
Egyle Hannah/ 06 de abril de 2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Chuva ácida

 A vida não é como um romance de Shakeaspeare. Não, não é mesmo! Não, não e não. Deveria ser, mas não é! Sim, repetirei uma, duas, três, ou quantas vezes forem necessárias, até que essa afirmação faça o favor de entrar na máquina de fichinhas da minha mente. 
Não que eu queira viver como Romeu e Julieta, também não desejo a insanidade do Rei Lear... Ou será que desejo? Desejar ou não, eis a questão. Droga. Hamlet, meu caro, você também não cabe aqui.
 Qual o limite para os sonhos? Existe algum? A realidade tem me dado tapas na cara, choques, chutes, empurrões... onde penso que estou? Preciso acordar... mas não quero!
 Uma nuvem tempestuosa pairou sobre minhas ideias, não consigo pensar, não consigo criar, para onde esse texto está indo? O que eu queria passar através dele? Nada me vem a mente... desculpem-me, choveu vida real.



Egyle Hannah/ 16 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Salvaguarda.

 Com a cabeça recostada sobre o seu ombro, meio inquieta, olho para as linhas daquele rosto e observo todos os detalhes, na busca de algo que ainda não descobri o que é. 
 "O que ele deve estar pensando?" fico me perguntando, à espera de uma resposta, não que eu de fato a queira, pelo contrario, me divirto ao imaginar as várias possibilidades de pensamentos que ali se passam... Às vezes precisamos desses instantes que aguçam nossa curiosidade.
 Suas expressões parecem carregar toda a subjetividade contida nas poesias do Leminski, tento entender aquele jogo de olhares que ele faz ao perceber que estou espreitando-o. Coisas compreensíveis nunca me chamaram atenção, sempre gostei de observar o mar, algumas pessoas  o temem por não saber o que há ali dentro... Sou apaixonada por ele pelo mesmo motivo. Minha mãe sempre me dizia para não ir muito fundo, mas que graça tem nadar no vazio? "Você não sabe o que te espera depois das pedras", dizia ela, mas minha curiosidade sempre superou qualquer ímpeto de obediência. 
 Brinco com meus pensamentos por alguns segundos, depois ergo a minha cabeça, olho nos seus olhos e lanço um sorriso.  Após questionar se tem algo fora dos eixos, ele retribui o sorriso e me beija, fazendo-me lembrar que se não fossem todos esses enigmas, meu coração não estaria acelerado.   




Egyle Hannah/ 17 de janeiro de 2014.