domingo, 6 de abril de 2014

Alguém tem um giz de cera por aí?

Já vi a vida em vários tons, sons e vibrações. Ela foi um pingo de tinta que caiu no azul do papel... uma típica aquarela!
A vida já foi para mim uma cobertura multicor daquelas alegres que só vemos em circos. Nunca gostei dos espetáculos que acontecem sob a lona, encontrei nisso uma singular semelhança, vejam só: vida colorida também assusta!
Um dia a vi em um carrossel... ah, quem dera fosse um carro-céu! Que céu? Acho que suas engrenagens enferrujaram. Lembro vagamente do seu último giro e dos sons daquelas gargalhadas. E o tempo, volta? Voltar para quê? Olhar para trás pode ser perigoso, há risco de queda! E ela, como chega ao fim? A ciência diz que há vida até quando seu cérebro estiver funcionando, mas e se ele estiver funcionando mas não estiver bom de bola ainda é justo haver vida?
Enxergo tons de cinza, as cores fogem dos meus olhares, os sons escapam dos meus ouvidos, e o tato? Já não toco mais em nada, tudo corre de mim. Lancei um último olhar à vida... Susto! Ela estava muda e em preto e branco.
Egyle Hannah/ 06 de abril de 2014

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