quarta-feira, 9 de julho de 2014

Intranquilidade



Cansada do bramir que a inquietude soava em meus ouvidos,
saí pelas ruas em busca de uma poesia que me desse abrigo.
Sem sucesso, esqueci a ideia de conforto e deixei, mais uma vez- 
o sossego escoar por entre os meus dedos.


Egyle Hannah/ 09 de julho de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

Por água abaixo.

 Meus versos pálidos se transformaram em chuva, 
e cada gota que caía era um estardalhaço: 
um berro: um grito...
 Cada gota que escorria no chão era uma palavra falada:
uma palavra jogada, cansada de ficar presa na garganta, e
por fim, cuspida.
 Chuva ácida, sobressaltada, afiada feito uma navalha. 
 Ao olhar ela passar, percebi o seu fim em um bueiro e conclui
que cada correnteza que passara por mim não era nada mais que 
devaneios de quem um dia acreditou no amor.

Egyle Hannah/ 06 de julho de 2014

sábado, 5 de julho de 2014

No ar

 Uma descoberta inquietante tirou-me da cama mais cedo que o de costume, qualquer pessoa que analise a vida -mesmo que minimamente- já percebeu que: cada um de nós carrega um mundo dentro de si. Uma informação simples e de fácil compreensão, mas que arrancou o sono dos meus braços e o sentou ao seu lado. Estava decidido: ele só sairia dali após aquela informação acender uma luz em minha mente. 
 Malditos pensamentos que brincam com minhas horas mal dormidas: malditas horas mal dormidas que clamam por pensamentos! Não sei sobre o seu, mas o sistema solar que comanda o meu mundo interno anda meio descoordenado. Ele que sempre funcionou direito, agora brinca de revirar as órbitas dos planetas e atirar cometas em direção a eles. Perdeu sua facilidade em compreender os outros que estão ao seu redor.
 Tudo bem. Tudo bem. Não tiro a sua razão, quem manda esses outros terem uma estrutura diferente e mais complicada que a nossa? Ninguém, eu sei. Mas sempre o tiveram, e nunca houve reclamações. Por que mudar as leis da física logo agora? 
 Acho que passarei a vida inteira a perguntar pro abismo e pras paredes. E em meio a questionários, meu sono vai adquirindo afinidade com as ideias. Isso não seria algo ruim... se eu não tivesse que encarar outros mundos no dia seguinte com ar de uma péssima noite de sono. 
Egyle Hannah/ 05 de julho de 2014