quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Risos mortos

 Trancada em seu quarto, ao som de um jazz, ela dança. Dança para o mundo, mas não para um mundo qualquer, ela mostra seus passos loucos para uma platéia que vem de longe, para um público espetacular. De onde eles vêm, as pessoas acreditam e lutam pelo que querem, flutuam sobre as nuvens, mergulham no oceano da felicidade... Felicidade? Essa coisa existe? Ah, existe sim! Não aqui, se você for procura-la em meio a onde vivemos, nada encontrará, mas naquele lugar, ela está em tudo, nos rostos, nos corpos, no vento... 
 Naquela noite ela se fez dançarina, mas até onde lembrava, ela não sabia dançar... Ah, moça sonhadora que se perdeu em seus passos por medo de continuar sonhando, o que houve com você? Estavas indo bem, até que duvidastes de si, não o faça mais, vai lá, volta pro palco, ele te chama!
 Pequena bailarina com ritmos de sentimentos, vejo que as pessoas carecem de seus risos e sorrisos.
 E parou em frente ao espelho do seu camarim, olhou para si, feliz por estar agradando aos seus espectadores e deu-se conta da realidade, nada que ali estava, de fato existia.
 Desmoronou, não ouvia mais os risos de antes, todos estavam desaparecendo um a um, seus pés já não tocavam mais o chão, como se nem a gravidade a quisesse ali... Sempre foi uma grande sonhadora, em meio a seus sonhos, tudo sempre acabava em cinzas, daquela vez não fora diferente.
 Deitada no chão de seu quarto, ao som de um jazz, ela acorda, se levanta, desliga o som, olha pela sua janela... Respira. Lágrimas. Como não havia mais nada a ser feito, volta para sua monótona rotina.
Egyle Hannah/ 23 de outubro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Ao som dos pássaros.

 Sentada na grama observando a aurora, ao som dos pássaros... Ah, os pássaros! Você já ouviu as suas canções? Melodias maravilhosamente incompreensíveis. Me atrevo a tentar decifrar o que eles querem dizer, tarefa vã, nunca entro em um acordo com as letras daquelas canções, as minhas conclusões finais sempre dependem muito do meu humor. Isso me faz pensar que eles cantam propositalmente assim, para que a compreensão seja semelhante ao nosso estado emocional, e não é que dá certo?
 A cada começo de dia, sorrio. A cada fim de tarde, choro. Ontem, por exemplo, ouvi-os cantarem saudade, senti o lamento de um pássaro que perdeu alguém que não irá mais voltar, ou que pode até voltar, mas mesmo assim a ausência faz falta.
 Ah, meu amor! Você pode escutar essa canção? Sinta comigo esse doce apelo para que tu voltes... Sei que não fosses por completo, mas ouça-me, meu amor... Quando você se vai, os pássaros cantam tristeza. Quando estás aqui, eles cantam alegria. E, ultimamente, as única melodias que tenho ouvido são as suas. Venha para mim, faça-me escutar belas canções.

 Sentada sobre a grama observando a aurora, eu dormi e sonhei que eles cantariam felicidade, e que estavas aqui. Agora peço-te: meu amor, dança comigo essa canção?



Egyle Hannah/ 20 de outubro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Peito fechado.



Sempre sonhei acordado;
De olhos abertos e peito fechado;
Nunca fui quem quis ser;
Dediquei minha vida a te repelir e a não te querer.

Vida essa que agora se vai;
Num poema sem rima, eu descanso minha paz;
Numa noite sem estrelas ou em um dia nublado;
Eu só desejo agora dormi sossegado. 



- Bárbara Pessoa.