domingo, 6 de abril de 2014

Sei lá, nem vejo!

          Vejo a vida por entre brechas, vislumbro bem mais do que teus olhos são capazes, mas nada mais do que os meus olhos ocultos merecem e podem enxergar. Diria que observa a vida de longe tem suas vantagens, eu não te perturbo e tu também não me perturbas, porém como nem tudo é feito de vantagens, pelas brechas só vejo sombras. Como distinguir o real do abstrato? Me sinto presa. Não conheço o mundo. Grito, grito e grito por alguém, alguém forte, realmente forte de corpo e de alma, alguém que não seja projeção, alguém que seja carne e ossos...Parece ironia mas as vezes acho até que posso ser um dos prisioneiro no qual o Platão se refere no mito "Alegoria da caverna", e se eu for? Que alguém me ajude e me liberte, mas tenho medo já que isso é apenas o que eu conheço...Vejo uma sobra a se aproximar, se dissipou, e a janela foi aberta. Socorro estou cega! 

          Agora tudo está mais claro, as ideias se estabeleceram, agora vejo com os olhos do rosto e não só com os da mente.

- Bárbara Pessoa.

Alguém tem um giz de cera por aí?

Já vi a vida em vários tons, sons e vibrações. Ela foi um pingo de tinta que caiu no azul do papel... uma típica aquarela!
A vida já foi para mim uma cobertura multicor daquelas alegres que só vemos em circos. Nunca gostei dos espetáculos que acontecem sob a lona, encontrei nisso uma singular semelhança, vejam só: vida colorida também assusta!
Um dia a vi em um carrossel... ah, quem dera fosse um carro-céu! Que céu? Acho que suas engrenagens enferrujaram. Lembro vagamente do seu último giro e dos sons daquelas gargalhadas. E o tempo, volta? Voltar para quê? Olhar para trás pode ser perigoso, há risco de queda! E ela, como chega ao fim? A ciência diz que há vida até quando seu cérebro estiver funcionando, mas e se ele estiver funcionando mas não estiver bom de bola ainda é justo haver vida?
Enxergo tons de cinza, as cores fogem dos meus olhares, os sons escapam dos meus ouvidos, e o tato? Já não toco mais em nada, tudo corre de mim. Lancei um último olhar à vida... Susto! Ela estava muda e em preto e branco.
Egyle Hannah/ 06 de abril de 2014