sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Salvaguarda.

 Com a cabeça recostada sobre o seu ombro, meio inquieta, olho para as linhas daquele rosto e observo todos os detalhes, na busca de algo que ainda não descobri o que é. 
 "O que ele deve estar pensando?" fico me perguntando, à espera de uma resposta, não que eu de fato a queira, pelo contrario, me divirto ao imaginar as várias possibilidades de pensamentos que ali se passam... Às vezes precisamos desses instantes que aguçam nossa curiosidade.
 Suas expressões parecem carregar toda a subjetividade contida nas poesias do Leminski, tento entender aquele jogo de olhares que ele faz ao perceber que estou espreitando-o. Coisas compreensíveis nunca me chamaram atenção, sempre gostei de observar o mar, algumas pessoas  o temem por não saber o que há ali dentro... Sou apaixonada por ele pelo mesmo motivo. Minha mãe sempre me dizia para não ir muito fundo, mas que graça tem nadar no vazio? "Você não sabe o que te espera depois das pedras", dizia ela, mas minha curiosidade sempre superou qualquer ímpeto de obediência. 
 Brinco com meus pensamentos por alguns segundos, depois ergo a minha cabeça, olho nos seus olhos e lanço um sorriso.  Após questionar se tem algo fora dos eixos, ele retribui o sorriso e me beija, fazendo-me lembrar que se não fossem todos esses enigmas, meu coração não estaria acelerado.   




Egyle Hannah/ 17 de janeiro de 2014.

Um comentário:

  1. Muito lindo. Amei toda a inspiração, curiosidade, indagação , amor...exposta aí nesse texto.

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