sexta-feira, 23 de maio de 2014

Passos falsos

 Quero viver em paz a minha solidão coreografada, onde os passos desta dança não me levam a lugar algum. Entre giros e tentativas de inovações continuo inerte ao movimento do meu ser, e nem sei se há um referencial para ser relacionado.  

 Como se estivesse presa em um labirinto, dou saltos para ver o outro lado do muro, tão altos e tão belos que são dignos de uma apresentação clássica de balé. Mas tudo isso é vão, quanto mais me elevo, mais me afundo. Pareço estar no meio de um espetáculo do lago dos cisnes que, como sempre, esqueceram de me avisar o porquê de eu estar aqui. Acho que precisarei me afogar para poder acordar e viver a realidade.


 Queria sentir a paz em meu peito dançando junto com minha solidão, mas diante de mim surge uma platéia repleta de expectativas. Eu não posso errar. Eu não posso chorar.

Egyle Hannah/ 23 de junho de 2014

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