sexta-feira, 26 de julho de 2013

O dia em que meu mundo foi ameaçado.

 Seres humanos têm uma mania horrível de se achar no direito de conhecer bem, muito bem, outra pessoa, né? Digo, por que não se contentar em apenas saber o que ela quer que você saiba? Mas não, ao invés disso, querem mergulhar nas profundezas de teus sentimentos, lá dentro, onde você luta para que nenhum marinheiro, nem mesmo com bom treinamento, chegue. Sempre fui boa em não deixar ninguém nem ao menos entrar na superfície do meu oceano, que, para evitar curiosidades, nem é tão interessante... Mas inventei de conhecer algum desses seres humanos metidos que insistem em navegar em águas perigosas, tolo, ou, esperto demais... Para ser sincera ainda não achei uma definição exata para o que ele é, só sei que foi o primeiro a encostar na borda das minhas águas.
 Tudo sempre começa com uma pequena aproximação, depois, a coisa vai ficando mais... arriscada. Porque para ele, ter só um pouquinho de mim, não basta. Ora! Que ousadia! Além de me ter, ainda exige proporções... Mas minha indignação não é essa, até porque ele não foi o primeiro a querer entrar nesse oceano que existe dentro de mim, minha indignação é que ele por uns dois ou três segundos, quase conseguiu atravessar as barreiras, encostou na superfície, molhou seus pés na minha água. Fico me perguntando como deixei isso acontecer, a improbabilidade é tanta que já joguei até a culpa no passarinho que passava por ali na hora do ataque, porque até a ideia de distração é mais confortante do que a ideia de que estou ficando mais... sensível. Meu mundo quase fora invadido por um ser que não sabe que o seu lugar é longe de águas que não o chamam, por um ser que não sabe que perturbar os seres que moram aqui dentro não irá me agradar nem um pouco, ainda que eles sejam imaginários.
 Meu mundo correu perigo por pura falta de atenção! Simplesmente por eu ter me deixado conhecer uma pessoa insistente, que mesmo depois de tantos pensamentos para esse texto, ainda não sei se o chamo de tolo ou de esperto. Tentar invadir algo perigoso, tolo. Quase conseguir, esperto, até demais, para o meu desagrado. Novas tentativas de ataques irão ocorrer, mas dessa vez não irei desviar minha atenção para nenhum passarinho ou borboleta, a não ser que... ambos estejam no meu estômago.



Egyle Hannah/ 26 de julho de 2013

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